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Quinta-feira, 03 de abril de 2025

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Construção de memória permanente

Construção de memória permanente

Uma pena que não haja instrumentos de memória permanente para que os jovens tenham mais noção do que foi aquele golpe de 1964

Construção de memória permanente

Foto: Reprodução

Por: metro1 no dia 03 de abril de 2025 às 00:00

O julgamento que tornou Jair Bolsonaro e outros sete aliados réus no caso da trama golpista é uma evidência que aqueles que hoje estão chegando à vida adulta levarão pela vida a ideia de que no Brasil também militares podem ser levados ao banco dos réus.

A minha geração e as que me precederam não puderam ter essa convicção, que, na verdade, mesmo para os moços ainda está por se confirmar, porque a aceitação da condição de réus não é ainda uma certeza de que se chegou ao nível de países que podem exercer as suas leis integralmente, mesmo contra militares. E a atitude do Congresso a respeito da anistia também ainda está por ser definida. Mas, de qualquer modo, tivemos um avanço de grande importância para perspectiva de alguma democracia política no Brasil.

61 anos do mergulho no obscurantismo

Foram 21 anos de violência e arbitrariedade. Isso não é esquecível. É uma pena que não haja instrumentos de memória permanente para que aqueles jovens a que eu me referi tenham mais noção do que foi aquele golpe de 1964 e o que ele trouxe ao Brasil em de desumanidade, atraso institucional e tudo de negativo que possa acontecer, culminando em assassinatos, torturas e desaparecimentos. 

Nesse sentido, o papel do filme Ainda Estou tem sido muito importante. Foi uma admirável ideia do Walter Salles transformar o livro do filho de Rubens Paiva, Marcelo Rubens Paiva,  em filme. E foi merecedor de um imenso agradecimento a decisão das Fernandas [Torres e Montenegro] - e de outros todos que participaram da construção do filme - de aceitar fazê-lo com coragem, para não deixar nada escondido do que devesse ser dito naquela história e cumprir um dever que todos deveríamos ter em relação ao que foi a ditadura.

* A análise foi feita pelo jornalista no programa Três Pontos, da Rádio Metropole, transmitido ao meio-dia às quintas-feiras