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Cardeais da oposição temem que postura de ACM Neto acelere debandada de prefeitos aliados no interior

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Por Jairo Costa Júnior

Notícias exclusivas sobre política e os bastidores do poder

Cardeais da oposição temem que postura de ACM Neto acelere debandada de prefeitos aliados no interior

Integrantes do bloco atribuíram perda de lideranças a tratamento 'pouco acessível' dispensado pelo ex-prefeito da capital a políticos alinhados a ele

Cardeais da oposição temem que postura de ACM Neto acelere debandada de prefeitos aliados no interior

Foto: Divulgação

Por: Jairo Costa Jr. no dia 02 de abril de 2025 às 18:54

Caciques da oposição não escondem o temor com a possibilidade de que a postura do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), alvo de queixas por parte de aliados, intensifique de vez a debandada de prefeitos que integram o bloco liderado por ele. Em conversas reservadas com a Metropolítica, políticos que integram o arco oposicionista admitem que o tratamento pouco acessível dispensado por Neto a apoiadores no interior baiano está por trás da crescente aproximação entre lideranças até então alinhadas ao União Brasil e o governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Pote de mágoas
"Não são poucas as reclamações que ouço de que Neto tem sido indiferente em relação a prefeitos, parlamentares e dirigentes de partidos do nosso grupo. E posso garantir que passo todas adiante, seja para o próprio Neto ou para o círculo mais próximo a ele. Mas parece que entra por um ouvido e sai por outro. Tem um número considerável de políticos da oposição insatisfeitos com a falta de retorno a ligações, mensagens por aplicativos, das dificuldades de achar espaço em sua agenda, de esquecimento e até de ingratidão. Enfim...", desabafou um membro da tropa de choque do ex-prefeito com assento no comando do União Brasil.

Reação em cadeia
As insatisfações com o comportamento de ACM Neto não são novidades. Começaram a surgir logo após a derrota do ex-prefeito para Jerônimo na corrida pelo governo do estado em 2022. No entanto, o mal-estar ainda não havia provocado baixas significativas nas fileiras da oposição. O que só começou a ocorrer no rastro da sucessão municipal de 2024. Os primeiros sinais de pulada de cerca vieram, entre outros, de prefeitos de cidades médias, como os de Guanambi, Nal Azevedo (Avante); de Paulo Afonso, Mário Galinho (PSD), e de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB).

Efeito dominó
Na sequência, outro líder com capilaridade política que atuou na trincheira contrária ao PT durante as duas últimas eleições também colocou um pé na base aliada ao Palácio de Ondina. No caso, o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP). Tido como um nome em ascensão na política baiana e reeleito com mais de 90% dos votos válidos, Cocá confidenciou a aliados à época que estava aborrecido com a desatenção de ACM Neto e que se sentia livre para se aliar a quem bem entendesse. No mesmo movimento, Bira da Barraca (União Brasil), de Mata de São João, surpreendeu dirigentes da sigla ao ensaiar uma aliança com o governo estadual.

Sinal  amarelo
Contudo, o alerta no núcleo-duro oposicionista começou a piscar forte com as declarações concedidas recentemente pelo prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Júnior Marabá (PP), em entrevista à rádio Baiana FM. “Você nunca se sente reconhecido por ACM Neto. E isso não sou só eu que falo. É o que todos falam. Nunca me senti reconhecido pelo que nós fizemos, isso é fato. Em 2022, entreguei 70% para ele nas urnas de Luís Eduardo e ajudei na região, mas nunca fiz parte do meio, nem me senti relacionado (...). Os prefeitos e lideranças acabam tendo relacionamento com o governo do estado, porque é presente, cordial, agrega, soma...”, disparou Marabá.

Atesto e dou fé!
O desabafo de Júnior Marabá foi compartilhado pelo deputado estadual Paulo Câmara (PSDB), aliado antigo do ex-prefeito da capital. Também em entrevista à Baiana FM, o tucano atestou as reclamações sobre a postura de ACM Neto. "Você às vezes manda um zap e ele não responde. É da natureza dele, é da personalidade, é uma queixa do mundo político. O que foi colocado pelo prefeito Júnior Marabá é fato. Eu estava presente na maior carreata da campanha de ACM Neto, o esforço que Júnior fez, e depois não houve uma ligação", salientou.

'Fogo família'
As críticas a ACM Neto ganharam até o ambiente familiar. À imprensa, o neto homônimo do falecido deputado federal Luís Eduardo Magalhães, filho do ex-governador ACM, despejou a caixa de ferramentas sobre o parente. "Figuras do grupo (da oposição) são mobilizadas para atacar aliados, enquanto ninguém parece ter espaço. Ninguém recebe o que deveria ser o mais simples: uma ligação, um espaço na agenda. A Bahia carece de líderes como Antonio Carlos Magalhães, o original, e Luís Eduardo Magalhães. Líderes que eram capazes de formar bancadas fortes, dividindo bases eleitorais, e que atraíam mentes brilhantes", disse ele, cujas pretensões políticas são conhecidas.

Confissões da presidente
Primeira mulher a presidir a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) em toda história, a deputada estadual Ivana Bastos (PSD) revelou bastidores sobre a sucessão na Casa que ainda não havia contado a ninguém, durante entrevista concedida na manhã desta quarta-feira (2) ao apresentador Mário Kertész, da Rádio Metropole. Em suma, Ivana disse que tanto ela quanto o então presidente da Casa, Adolfo Menezes (PSD), tinham plena consciência de que o terceiro mandato do correligionário à frente da Assembleia não duraria muito e que a parlamentar acabaria assumindo o posto. Só não imaginavam que o Supremo derrubaria Adolfo tão rápido. Em síntese, Ivana disse que ambos esperavam uma decisão contrária no fim do ano, não no início.

Noves fora...
Parlamentares com status de liderança na Alba têm absoluta certeza de que o deputado estadual Júnior Muniz (PT) acabará desistindo de concorrer com a também petista Fátima Nunes pela primeira vice-presidência da Casa. Só não arriscam um prognóstico sobre quando ele abandonará o páreo e se a saída de Muniz garantirá os 32 votos necessários para que Fátima Nunes conquiste o cargo. É que, avaliam, permanece a tendência de que a deputada, mesmo com candidata única, seja derrotada por brancos e nulos em plenário, por conta da resistência interna a seu nome.

É ouro! 
Que a ex-jogadora de basquete Hortência Macari bateu um bolão ninguém tem dúvidas. Poucos sabem porém que a maior cestinha da história seleção feminina, prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 2016, ouro no Pan-Americano de Havana em 1991 e integrante do Hall da Fama do basquete mundial é craque também como palestrante. Estrela do 2º Encontro de Mulheres Líderes da Gestão Municipal, realizado no último dia 27 de março em Salvador, Hortência recebeu um cachê de R$ 60 mil pago pela prefeitura da capital para participar do evento.   

Encontro com o passado
O prefeito de Santo Amaro, Flaviano Bomfim (União Brasil), foi condenado pelo Tribunal de Contas da União a ressarcir os cofres públicos em aproximadamente R$ 300 mil, por irregularidades no uso de verbas destinadas ao município pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por meio do Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (Pnate) em 2018, durante sua primeira gestão. Além da devolução de recursos, Bomfim também foi condenado a pagar multa de R$ 80 mil e pode enfrentar ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público Federal da Bahia.