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Memórias de um Brasil em chamas: Três Pontos relembra data e acontecimentos do Golpe de 64
Entre redações, ruas e universidades, equipe do Três Pontos contou, nesta quinta-feira (3), como cada um testemunhou o golpe de 1964
Foto: Reprodução/YouTube
Na noite de 31 de março de 1964, o Brasil foi palco de um dos momentos mais marcantes da sua história: o golpe militar que instaurou uma ditadura militar que duraria 21 anos. A lembrança desse período ainda ecoa entre aqueles que o viveram e foi tema do programa Três Pontos desta quinta-feira (3). Os jornalistas Bob Fernandes, Sergio Augusto e Mário Kertész, acompanhados do historiador Carlos Fico, compartilharam suas memórias do início da ditadura e suas primeiras impressões sobre o regime.
“Eu tenho uma história muito curiosa, porque eu estava no calor dos acontecimentos, numa redação do Correio da Manhã”, contou Sergio Augusto. “Eu tive a oportunidade de ler em primeira mão o editorial 'Basta'. Estava esperando uma carona quando vi a prova de escova da primeira página. Li e só comentei: 'Vai dar merda'.” O editorial, publicado em 30 de março, foi um dos elementos centrais no movimento contra Jango.
Bob Fernandes, por sua vez, tinha apenas 12 anos na época e vivia em Bragança Paulista. “Eu estava indo com meu pai buscar água na bica, e lembro bem de ver soldados na rua. Perguntei: 'Pai, o que é que esses soldados estão fazendo aqui?'”, recordou. Sua primeira imagem da ditadura foi marcada pela presença militar repentina e pela falta de compreensão do que acontecia ao seu redor.
O historiador Carlos Fico tinha apenas cinco anos e sua primeira memória do regime veio anos depois. “Em 1968 ou 69, fui com meus pais assistir a uma peça de teatro no centro do Rio. Quando saímos, havia protestos e um carro pegando fogo. Foi uma cena dramática, nossa saída dali foi tumultuada”, contou, destacando como a violência do período começava a impactar a sociedade.
Já Mário Kertész era estudante da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e viu de perto a repressão. “No dia 31 de março, cheguei à universidade e encontrei a praça tomada pelo Exército. Soldados armados cercaram uma assembleia do sindicato dos trabalhadores do petróleo e fizeram um corredor polonês para espancar os presos”, relembrou. Ele também contou sobre um capitão do Exército infiltrado na faculdade para espionar alunos. “Sugeri uma moção de desconfiança, mas, no dia seguinte, ele sumiu. Quando o golpe veio, soube que teria que me esconder”.
Confira o programa completo:
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