
Brasil
Extratos desmentem acusações de desvios feitas por Emicida contra o irmão e sócio
Documentos mostram que rapper recebeu os mesmos valores que Evandro Fióti, conforme previsto em acordo de dissolução de sociedade assinado por ambos e descumprido pelo artista

Foto: Divulgação
Documentos obtidos pelo Grupo Metropole desmentem a versão a apresentada pelo rapper Emicida para o rompimento com o irmão, o músico e produtor cultural Evandro Fióti, de quem é sócio na empresa LAB Fantasma, que gerencia a carreira do artista. De acordo com notícia publicada recentemente pelo portal Léo Dias, Emicida acusa Fióti de ter desviado cerca de R$ 6 milhões das contas da empresa e revogou uma procuração que autorizava o irmão a realizar movimentações bancárias em nome da LAB Fantasma, deflagrando uma batalha judicial entre ambos.
No entanto, a reportagem teve acesso a extratos de movimentações bancárias da empresa que contradizem as acusações feitas por Emicida. Entre os quais, quatro comprovantes de transferências Pix feitas das contas da LAB Fantasma para o rapper, no valor total de R$ 2 milhões. Os repasses, de R$ 500 mil cada, ocorreram nos dias 7, 13, 18 e 20 de fevereiro. O Grupo Metropole teve também acesso a um email, datado de 20 de janeiro deste ano, no qual Fióti comunica previamente a decisão de antecipar a divisão de lucros da empresa, de forma igualitária, entre ambos.
Extratos bancários comprovam quatro repasses de R$ 500 mil para contas do rapper em fevereiro deste ano (Foto: Reprodução)
"Formalizo neste e-mail que tenho lucros a serem retirados das empresase preciso honrar compromissos firmados em meu nome, logo vou avançar na distribuição de lucros a partir de amanhã (21 de janeiro) no valor de R$ 2.000.000. O valor é inferior ao que tenho a receber nestes mais de 16 anos como sócio das empresas e administrador das mesmas. Esse é o limite para ambos os sócios neste momento, até que nos próximos sete dias corridos avancemos com as decisões de governança das quais você tem ciência e histórico", escreveu Fióti, em comunicado encaminhado a Emicida, no qual faz referência à decisão do rappaer de romper a sociedade com o irmão.
Para os advogados do produtor cultural, tanto o email quanto os extratos bancários mostram que Fióti agiu de acordo com as cláusulas de um acordo prévio firmado para concretizar a dissoulução societária da LAB Fantasma, chamado no jargão jurídico como Term Sheet. "A acusação de que Evandro (Fióti) teria 'esvaziado' contas da empresa é completamente infundada. As planilhas financeiras que ora se anexa, demonstram que Leandro (nome formal de Emicida), na condição de artista e sócio, foi beneficiário de valores significativamente superiores aos recebidos por Evandro. Constam lançamentos recorrentes e vultosos a favor de Leandro, inclusive a título de cachês, retiradas, transferências e repasses diretos", dizem os advogados de Fióti, na ação em que pedem o restabelecimento de direitos do irmão do rapper na empresa, suspensos de forma unilateral pelo artista no fim de fevereiro.
Valores foram divididos igualmente entre rapper e produtor
Ainda de acordo com a defesa de Fióti, os valores recebidos por ele foram pactuados, transparentes e justificados pela própria dinâmica da sociedade, indo ao encontro do teor dos documentos obtidos pela reportagem. "Não há qualquer elemento que sustente a tese de esvaziamento ou má-fé por parte do autor (Fióti). O réu (Emicida), agindo de maneira isolada e em desrespeito ao acordo formalizado com o autor, revogou a procuração pública que permitia a atuação de Evandro na administração da empresa. Posteriormente, divulgou comunicados internos anunciando, de forma unilateral, que Evandro não mais teria qualquer função de gestão, e assumiu o controle absoluto das finanças e contratos da empresa, em evidente descumprimento do Term Sheet que assinou e agora está ignorando", destaca a petiução ajuizada na 2ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem do Foro Central da Comarca de São Paulo.
Documento que mostra teor do acordo e reforça descumprimento por parte de Emicida (Foto: Reprodução)
Entre outras cláusulas, o acordo firmado entre os irmãos previa que "toda deliberação estratégica e movimentações financeiras acima de R$ 100 mil seriam decididas em conjunto e que a transição da sociedade deveria ocorrer de forma consensual, com gestão compartilhada durante o processo. "Nada disso foi respeitado, o que torna legítimo o pedido de urgência para restaurar o equilíbrio de gestão dentro da empresa e evitar danos irreparáveis ao autor", conclui a defesa de Fióti, no pedido de liminar feito à Justiça de São Paulo. O Grupo Metropole tentou contato com a assessoria do rappaer, mas não obteve sucesso até o fechamento desta reportagem.
Os documento mostram ainda que a LAB Fantasma é um grupo de empresas, a primeira delas é a Labaratório Fantas Produções, aberta em 2010, com os dois como sócio, cada um com 50% da divisão de lucros. Em 2014, a empresa passa para apenas o nome de Emicida, o que teria acontecido por conta da necessidade de abrirem uma outra empresa voltada para o comércio de roupas, bonés e etc. Essa, no entanto, estava 100% no nome de Fioti.
Em 2024, os dois teriam se reunido com a contabilidade para regularizar a retirada de lucros na Lab Fantasma Produções, empresa do grupo que concentrava os livros. Fioti teria retornado com 10% do capital social, o que era permitido já que a empresa que estava no nome dele era Simples Nacional. Após essas mudanças, Fioti teria sido autorizado a receber R$ 4 milhões de lucro acumulados. Essas negociações teriam sido registradas em ata da reunião e vídeo.
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