Cidade por Felipe Paranhos no dia 14 de Set de 2017 • 08:32

BR-324, a rodovia assassina: trecho Valéria-Bom Juá é o mais mortal do país

BR-324, a rodovia assassina: trecho Valéria-Bom Juá é o mais mortal do país

Foto: Tácio Moreira/Metropress

Quando você passar pelo trecho entre Bom Juá e Valéria, na BR-324, não esqueça de que a morte o cerca. Sem exagero. De acordo com o Atlas da Acidentalidade no Transporte Brasileiro, o pedaço entre os quilômetros 614 e 624 é, proporcionalmente, o mais mortal do Brasil.

A montadora Volvo, organizadora do levantamento, compilou os dados de acidentes em rodovias de todo o Brasil de 2007 a 2016. E, em um trecho de apenas 10 quilômetros na BR-324 — administrada e pedagiada pela ViaBahia — morreram 167 pessoas em 1.428 acidentes. O índice de letalidade é o maior entre os cinco trechos mais perigosos: 0,11 morte por acidente.

Acidentes ocorrem mais no horário comercial; mortes, à noite
De acordo com o levantamento, cerca de 70% dos acidentes da BR-324 no estado — não necessariamente no trecho operado pela ViaBahia — acontecem entre as as 7h e as 18h. A maior porcentagem de mortes, porém, ocorre entre as 20h e as 5h. Em alguns horários da madrugada, mais de 90% dos acidentes vitimam alguém.
O dia que mais concentrou acidentes entre 2010 — primeiro ano sob gestão da ViaBahia — e 2016 é o domingo, que liderou o número de batidas em todos os anos, menos 2015, que teve a quarta como pior dia.

Atropelamentos e colisões matam mais
Muito populoso, o trecho entre Valéria e Bom Juá tem o atropelamento como principal motivo de mortes: mais de 100 — a pesquisa não disponibilizou números exatos — dos 167 óbitos aconteceram assim. Colisões traseira, lateral e frontal vieram nas posições seguintes do ranking de mortes. Outras situações comuns são saídas de pista, queda de motocicletas e capotamentos.

Viabahia cita redução de mortes, mas média é basicamente a mesma
O trecho mortal da BR-324 também consta entre os que reduziram as mortes nos últimos anos, graças a 2015 — com cinco óbitos — e 2016 — quatro. A Viabahia se baseia neste número para ressaltar seu trabalho. “A empresa assumiu a operação da rodovia em abril de 2010 e já no ano seguinte, este índice caiu em mais da metade (25 em 2010 contra 12 em 2011), não mais retornando aos grandes números anteriores ao da concessão. Nos dois últimos anos, a queda foi ainda mais acentuada”, declarou a concessionária em nota.

No entanto, em outros anos não citados pela empresa, como 2012 e 2014, o número de mortes também foi alto, o que coloca a média de óbitos pós-Viabahia em 12,1 mortes por ano, índice apenas 2,2 pontos menor do que no período pré-concessionária.

Educação de usuários, telas e passarelas
Segundo a Viabahia, no trecho entre os quilômetros 614 e 624, a empresa construiu três passarelas e reformou as duas que existiam antes da concessão. O custo total das obras foi estimado em R$ 8 milhões.

A empresa também mencionou o investimento em campanhas educativas para prevenir acidentes e a instalação de telas entre as pistas da BR-324 para inibir usuários que teimem em atravessar a pista mesmo próximo a passarelas.



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