Cultura

Carpinejar emociona-se ao falar dos pais: 'Vi que eu estava sendo ausente'

Em entrevista à Rádio Metrópole, escritor ainda comentou sua obra mais recente, "Minha Esposa Tem a Senha do Meu Celular"

[Carpinejar emociona-se ao falar dos pais: 'Vi que eu estava sendo ausente']
Foto : Claudio Fonseca / Divulgação

Por Juliana Rodrigues no dia 12 de Julho de 2019 ⋅ 09:00

Durante entrevista à Rádio Metrópole, na manhã de hoje (12), o escritor Fabrício Carpinejar emocionou-se ao falar sobre a obra "Cuide dos Pais Antes que Seja Tarde", lançada no ano passado. Segundo o autor, o livro nasceu da percepção de que ele era um bom marido e bom pai, mas não se preocupava em ser um bom filho.

"Meus pais estão com 80 anos e eu pensava que eles são eternos, que eles são meus provedores e que eles nunca iriam precisar de mim, como se paternidade e maternidade fossem uma via de mão única. Vi o quanto eu estava equivocado, e para mim foi um choque, quando eu fiz aquelas perguntas bobas, hipóteses, 'ah, o que estarei fazendo daqui a 20 anos?' (...), pensei nos meus irmãos, amigos, daí pensei nos meus pais e gelei. Dificilmente eles estarão aqui. Aí todas as linhas do tempo perderam o sentido pela urgência de estar com meus pais. (...) Eu vi que eu estava sendo ausente porque eu idealizava os encontros de domingo e não ia aos cafés da tarde, aos encontros imperfeitos, quebrados. A gente tem que ser mais possível, mais real e menos idealista. A gente é levado pela pressa do trabalho, do compromisso, e esquece quem realmente fez toda a diferença na nossa vida", disse, em conversa com Mário Kertész, no Jornal da Bahia no Ar.

Carpinejar também falou sobre a obra mais recente, "Minha Esposa Tem a Senha do Meu Celular". Segundo ele, o livro trata da importância da lealdade e da sinceridade em tempos de "relacionamentos líquidos" e dependência tecnológica. "Eu acredito que há uma supervalorização do celular, como se nossa vida estivesse guardada ali dentro. O celular se tornou um quarto fechado dentro de casa. Você sonega porque você quer se sentir importante, você é capaz de brigar e se separar por causa de um celular. Ou seja, a relação está menor do que o celular. Isso é uma tristeza escandalosa. (...) Acho que os homens estão em pânico à toa, eles dormem com celular debaixo do travesseiro, levam para o banheiro, tomam banho com o celular... Aí na verdade já são prisioneiros do celular. O celular é uma espécie de tornozeleira eletrônica", analisou.

Para o escritor, o amor "só precisa de sinceridade" para existir. "Não há maior coragem do que a sinceridade. Ser leal nos pensamentos é dizer onde está a sua cabeça, ser fiel é dizer onde está o seu corpo. Mas as pessoas não dizem onde está a sua cabeça ou o seu coração e sofrem muito. A gente sofre à toa, a maior parte das nossas dores é imaginária, é algo que não aconteceu, é algo que pode acontecer", afirmou.

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