Cultura

'Elis Regina veio ao mundo para cantar e ficar calada', diz produtor Roberto Sant'Ana

Em entrevista à Rádio Metrópole, ele lembrou que a cantora referia-se a um diretor comercial como 'neguinho'

['Elis Regina veio ao mundo para cantar e ficar calada', diz produtor Roberto Sant'Ana]
Foto : Tácio Moreira

Por Adelia Felix no dia 10 de Julho de 2019 ⋅ 18:56

O produtor musical Roberto Sant'Ana, responsável pelo lançamento de grandes artistas, como Fafá de Belém, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Alcione e Emílio Santiago, lembrou de alguns episódios protagonizados por Elis Regina, quando ele fazia parte da Philips/PolyGram, durante entrevista à Rádio Metrópole, nesta quarta-feira (10). Um dos relatos envolveu o então diretor comercial Heleno de Oliveira.

“Mensalmente, ela ligava para [os diretores] Roberto Menescal ou André Midani pedindo a minha cabeça e a cabeça desse ‘neguinho’. ‘Neguinho’ era o Heleno. Racista. Aí, ela resolveu, em São Paulo, que os músicos dela seriam os mais bem pagos do país, que a Polygram iria pagar. Eu não tenho dinheiro para pagar músico nenhum. Ela fez um escândalo. Mas eu neguei. Eu não sou dono da Polygram. Eu só administro um selo chamado Philips, que tinha um milhão de dólares por ano para shows, discos... Foi uma mulher que veio ao mundo para cantar e ficar calada”.

Roberto também recordou de outra situação, quando a artista concederia entrevista para uma emissora de TV, em Salvador. “Tem uma entrevista amanhã na TV Aratu, nessa época era Globo. Vamos lá… Quando entramos no corredorzinho, na sala de espera, tinha um alto-falante… Plantão do Jornal Nacional. Acaba de cair um avião, nem me lembro, na França, morreu Leila Diniz. Aí, ela virou o tamanco, que fui eu que mandei dar a notícia para prejudicar ela na entrevista”, conta.

E, continua: “Quando ela abria a boca para cantar, sai de baixo. Raríssimas cantoras eram iguais a Elis Regina. Mas quando era para pensar e falar, só saia merda”.

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