Cultura

Arthur Guimarães Sampaio relata infância ao lado de artistas modernistas

Filho do médico e artista plástico, José Mirabeau Sampaio, ele teve contato com artistas como

[ Arthur Guimarães Sampaio relata infância ao lado de artistas modernistas]
Foto : Matheus Simoni/Metropress

Por Juliana Almirante no dia 12 de Junho de 2019 ⋅ 12:42

O administrador e empresário Arthur Guimarães Sampaio relatou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (12), como foi crescer como filho do médico e artista plástico, José Mirabeau Sampaio, entrando em contato com o movimento modernista na Bahia.

Hoje presidente do conselho da Fundação Casa de Jorge Amado, Arthur fala com carinho e admiração sobre o pai e a mãe, Norma, que chegaram a virar personagens do escritor.  

"Há poucos dias, eu li em uma crônica que dizia que ele era o amigo íntimo de mais tempo de Jorge, Foram amigos até a morte dele. Foram colegas do Colégio Antônio Vieira e meu pai partiu dois anos antes dele (Jorge). Meu pai era uma figura ímpar, era médico para fazer a vontade do pai, segundo minha mãe, que queria ter um filho médico. Ele criou a mim e a Maria, minha irmã, não fazendo muitas vontades e sempre dando dificuldade para a gente conseguir as coisas, porque achava que tinha sido mal criado. Meu avô fez todas as vontades, mas deu tudo certo no final", conta.

"Minha mãe foi embora muito cedo. Era uma alegria incrível. Nasceu em Belmonte. Minha irmã nunca se recuperou da perda de minha mãe. Minha mãe era realmente uma figura. Sempre casa cheia, muitas amizades, era uma figura", completou. 

Com a presença do pai no meio artístico, ele guarda boas memórias do tempo em que convivia com os integrantes do movimento modernista.  Mirabeau Sampaio se aproximou do grupo no final da década de 40.

"Eu tive a sorte de ver o movimento modernista nascer. Meu pai teve sorte de ser amigo de Mario Cravo Júnior, o escultor. Ele dizia que era o único que tinha genialidade. Minha mãe fez uma grande amizade com a mulher de Mário, Maria Lúcia Ferraz. Eu acompanhei tudo. Íamos almoçar dia de domingo na casa de Mário. Era realmente como se fossemos sobrinhos de Mário e Lúcia", recorda. 

Ele lembra que o grupo se reunia na casa do artista plástico Mario Cravo Júnior, que tinha um estúdio nos fundos. 

"Mário foi realmente o grande líder daquele grupo. Na casa de Mário, tudo acontecia. De vez em quando, Lúcia dizia: 'Meu bem, hoje quantos somos para almoçar? Ah, chegaram aí 10, 12 pessoas'", rememora. 

Na conversa, Arthur também contou como aceitou convite para ser presidente da Junta Comercial da Bahia, em julho de 1975. Ele estava em uma reunião na associação comercial, quando recebeu o chamado de Jorge Filgueiras, secretário particular do governador Roberto Santos. Antes de aceitar a convocação, com apenas 29 anos, resolveu consultar o pai. 

"Quando cheguei na porta da casa de meu pai, no Chame-Chame, ele já veio para a porta de casa e disse: 'Não tem jeito Arthur, vai ter que aceitar'", sentenciou Mirabeau.

Quando o governo de Roberto Santos acabou e Antônio Carlos Magalhães assumiu, ele acabou reconduzido ao cargo.  "Tive bastante aproximação (com ACM), fui agradecer a ele. Durante o governo, nunca me pediu para fazer absolutamente nada", relata.

Arthur recorda que não queria assinar uma ata sobre a indicação de uma pessoa para o cargo de diretor, que não poderia assumir porque ocupava cargo público. De tarde, ele recebeu uma ligação de Luís Eduardo Magalhães, dizendo que tinha tomado a decisão certa.

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