Cultura

'Quem tem raízes na BA não vai perder nunca', diz o ator Othon Bastos

Nascido na cidade de Tucano, nordeste da Bahia, falou sobre carreira à Rádio Metrópole, antes de receber título de cidadão de Salvador

['Quem tem raízes na BA não vai perder nunca', diz o ator Othon Bastos]
Foto : Matheus Simoni/Metropress

Por Juliana Almirante no dia 07 de Junho de 2019 ⋅ 12:40

Nascido na cidade de Tucano, nordeste da Bahia, o ator Othon Bastos não mediu palavras para falar sobre a emoção que sentiu ao saber que receberia o título de cidadão soteropolitano, na noite de hoje (7), na Câmara de Salvador.

"Eu faço questão de dizer que sou filho de tucano, aquela terra seca e árida. Eu não escondo de onde eu nasci. Acho que quem tem raízes na Bahia não vai perder nunca. Essa terra é de mistério, uma terra linda e de grandes orixás. É uma terra divina e Deus escolheu a Bahia para representar mesmo", definiu. 

O ator relata que saiu de Tucano aos seis anos para morar no Rio de Janeiro com uma tia e começou a estudar em colégio interno. No ensino médio, ele conta como foi que o interesse pelo teatro surgiu, ao ser chamado para substituir um colega em um clássico de Shakespeare. 

"Eu era um 'ponto dizendo o texto para as pessoas. Quem era meu colega que fazia Iago no Otelo, Walter Clark, um dos maiores homens da televisão, que era meu colega de turma. Ele medrou e não queria fazer o personagem. Eu? Que nada, estava pensando em ser dentista, nunca pensei em fazer teatro", relembra. 

O ator ainda lamentou a queda da força do teatro, que hoje já não movimenta mais a cidade culturalmente como antes.

"Hoje em dia é tão estranho o Rio de Janeiro. A violência é assustadora. Nós fazíamos (espetáculos) na terça e quarta, duas na quinta, sexta, duas no sábado e duas no domingo. Para você ver a força que tinha o teatro. Hoje em dia, o teatro faz sexta, sabado e domingo. Como você pode viver de teatro?", questiona. 

O ator ainda comentou a sugestão que fez ao diretor Glauber Rocha para dar vida ao Corisco em "Deus e o Diabo na Terra do Sol". Ele indicou que, em lugar de um flash back, fosse usado a voz do personagem em off.

"O que acho de genial no Glauber e que sempre falo... O filme tem toda sua força e esplendor. O maior esplendor foi a generosidade de Glauber, de um menino que está fazendo pela primeira vez, seu primeiro grande filme, com roteiro estudado, pesquisado. E chega um caipira de tucano dizendo: 'Faz isso. Deixa eu fazer o Corisco contando a história'", lembra. 
 

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