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Mesmo com reforma, desemprego não vai diminuir a curto prazo, diz sociólogo

Em entrevista à Rádio Metrópole, José Pastore também demonstrou otimismo em relação às atitudes da equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro

[Mesmo com reforma, desemprego não vai diminuir a curto prazo, diz sociólogo]
Foto : Eugênio Goulart/Fecomércio-SP

Por Juliana Rodrigues no dia 12 de Junho de 2019 ⋅ 08:52

O sociólogo, professor e presidente do Conselho de Emprego e Relações de Trabalho da Fecomércio-SP, José Pastore, afirmou, hoje (12), em entrevista à Rádio Metrópole, que embora a aprovação da reforma da Previdência seja importante para a retomada do crescimento econômico do país, a situação do desemprego não vai melhorar a curto prazo.

"O Brasil está longe de ter uma onda repentina de investimento em infraestrutura, que é onde gera mais emprego, e também está longe de ter uma grande expansão no setor manufatureiro, que ao contrário, vem encolhendo. Uma reviravolta a curto prazo não é previsível. A resposta é que tanto o emprego quanto o trabalho vão voltar de modo muito gradual, muito lento, porque mesmo aprovando a reforma da Previdência, a reforma tributária, mesmo começando a fazer as concessões para privatização, mesmo assim o investidor só vai tirar o dinheiro da gaveta dele lá no primeiro semestre do ano que vem. Os empregos vão começar a aparecer lentamente no segundo semestre do ano que vem", analisou.

Pastore demonstrou otimismo em relação às atitudes da equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro, chefiada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. No entendimento do sociólogo, Guedes sabe operar de acordo com as regras do mercado, o que é positivo para o país. "Qual é a nossa equação hoje? O governo confia no Brasil mas não tem dinheiro, o setor privado tem dinheiro, mas não confia no Brasil. Essa equação não fecha. Então é muito importante fazer o investidor brasileiro, estrangeiro, acreditar no Brasil, porque só assim nós vamos sair da crise. Para isso ele precisa ter garantias, segurança, saber que as regras serão as regras do mercado, as regras aprovadas pelo Congresso, e que serão mantidas, respeitadas", disse.

Ainda segundo Pastore, os vazamentos de diálogos que comprometem o ministro da Justiça, Sérgio Moro, podem influenciar na aprovação da reforma da Previdência, como aconteceu no governo Temer. "Espero que dessa vez a reforma esteja um pouco mais blindada do que esteve nas outras vezes, porque na vez anterior, no primeiro soluço, no primeiro resfriado, a reforma já rolou e saiu de cena", afirmou.

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