Cidade por Bárbara Silveira no dia 13 de Out de 2017 • 08:10

À espera de outra tragédia: travessia repete erros revelados por acidente em agosto

À espera de outra tragédia: travessia repete erros revelados por acidente em agosto

Foto: Divulgação/SSP

A morte de 19 pessoas que estavam a bordo da lancha Cavalo Marinho I, em agosto, parece não ter servido de exemplo para que o serviço prestado na Travessia Salvador-Mar Grande melhorasse. Apesar de inúmeros relatos de passageiros que mostravam a precariedade do transporte e diversas promessas dos responsáveis pelo sistema, após a tragédia, nada mudou.

Na época, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar apontaram a falta da lista de passageiros como um dos principais fatores que atrapalharam as buscas. “Neste tipo de embarcação nós não temos lista de passageiros. As pessoas compram o ingresso e têm acesso”, lamentou o coronel Anselmo Brandão. O problema é que dois meses já se passaram e as empresas continuam não adotando o sistema de controle com os nomes dos passageiros ou qualquer outro tipo de melhoria.

Ainda sem lista: “Não tem como saber se ele embarcou... já tentou o celular?”
Na última quarta-feira (11), o Jornal da Metrópole ligou para a CL Transportes, controladora da Cavalo Marinho I e uma das duas empresas que operam o sistema, e questionou se seria possível localizar, pelo nome, um passageiro que realizou a travessia naquele dia. A resposta do funcionário da CL foi frustrante. ”Não tem como saber se ele embarcou. Já tentou o celular dele? A gente não anota nome de passageiros, só anota a quantidade. Nome, não”, disse. Procurada, a empresa não respondeu ao questionamento sobre a falta de controle de passageiros.

MP pede cassação dos atuais contratos
Tanta precariedade fez com que a promotora Joseane Suzart, do Ministério Público da Bahia, pedisse, semana passada, a cassação do serviço prestado pelas empresas. Na ação, Suzart pede a realização de uma nova licitação para escolher companhias que “atendam aos padrões necessários”. A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), que deveria fiscalizar as empresas, só vai se posicionar após decisão judicial. A CL afirmou que não vai falar sobre o pedido do MP e a Vera Cruz, que também opera a travessia, não foi encontrada.

Coletes salva-vidas nos armários
Uma das principais queixas dos passageiros da Cavalo Marinho I foi a dificuldade para conseguir acessar os coletes salva-vidas. Mas no final de agosto, primeiro dia de funcionamento das lanchas após a tragédia, a Metrópole flagrou que o acesso ao item de segurança continuava falho. Na lancha Nossa Senhora da Penha, grande parte dos coletes ficava guardada em um armário no segundo piso da embarcação — o que poderia dificultar o acesso num momento de pânico.

Agerba foge da responsabilidade
Logo após o acidente com a Cavalo Marinho I, o diretor-executivo da Agerba, Eduardo Pessoa, atribuiu à Marinha a responsabilidade pelos cuidados com as embarcações. “Essa questão da segurança naval é da Marinha”, disse. Mas a fiscalização, segundo o MP, cabe à Agerba. Além disso, desde a tragédia, a agência se omitiu em relação aos questionamentos da imprensa sobre, por exemplo, a ausência de lista de passageiros e o destino dos recursos obtidos pelas empresas com a travessia.



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